A reforma do sistema tributário brasileiro não é um evento técnico. É uma mudança estrutural que redefine a forma de precificar, contratar, planejar e decidir. Empresas que continuam tratando esse movimento como mera adequação fiscal estão, silenciosamente, abrindo mão de competitividade, margem e de sua sustentabilidade no médio e longo prazo.
A lógica de formação de preços será distinta. O desembolso tributário deixa de ser um elemento manejável de curto prazo e não mais se presta como instrumento de fôlego para o fluxo de caixa. A regularidade fiscal do fornecedor passa a ser tão relevante quanto a capacidade de pagamento do cliente. Não se trata de emitir novos documentos fiscais ou de absorver alíquotas diferentes. O cenário é outro, e significativamente mais sofisticado.
Diante de um impacto dessa magnitude, evidencia-se uma lacuna cultural relevante: a baixa utilização do jurídico como vetor estruturante nas tomadas de decisão e na construção de cenários estratégicos empresariais.
Quando as empresas são instadas a revisar procedimentos já institucionalizados, muitas vezes encontram dificuldade até mesmo em compreender a razão de sua adoção original. A ausência de direcionamento claro, somada à alta rotatividade de profissionais, expõe fragilidades de memória técnica, consistência e governança.
A presença de um diretor jurídico no nível de C-Level ainda não é realidade para a maioria das empresas brasileiras. E é exatamente nesse contexto que os advogados com sólida expertise tributária assumem um papel de relevância, desde que entreguem mais do que técnica.
O domínio técnico e a compreensão dos impactos legislativos são o ponto de partida. O mercado exige profissionais com visão ampliada, capazes de atuar como verdadeiros guias de cenários, integrando informação, criatividade e previsibilidade como diferenciais competitivos e vetores de resultado.
Essa simbiose, entre empresas que compreendem a dimensão estrutural (e até cultural) das mudanças e advogados que absorvem, com maturidade, as novas demandas do mercado, cria um momento singular para a construção de um novo legado empresarial e profissional.
Meu ponto é simples: você, conselheiro, advogado ou empresário, está assustado ou entusiasmado com esse novo ciclo?
Eu faço parte do segundo time.
E seguirei compartilhando reflexões e conteúdos sobre esse novo, e instigante, mundo que se apresenta, bem à nossa frente.
Bruna Nakamura Moser
